Editorial

Um presente pra a Quebradaa

O sarau que acontece todas às quartas-feiras no Bar do Zé Batidão é apenas a mais visível das iniciativas da Cooperifa, um movimento que há mais de sete anos realiza atividades artísticas, culturais e educacionais por toda a periferia paulistana, principalmente na Zona Sul de São Paulo. Liderados pelo poeta Sergio Vaz, esses guerreiros e guerreiras fortemente armados com canetas, cadernos e livros travam uma luta incansável contra a ignorância, a mediocridade, o conformismo, a tristeza e as pobrezas materiais e espirituais
que insistem em saquear a Quebrada. Agora chegou a hora de se reunir e celebrar com sua comunidade as conquistas alcançadas. Em sete dias, as regiões do Campo Limpo e Jardim
São Luiz receberão um presente mais do que merecido: A Mostra Cultural da Cooperifa. Um evento à altura do que merece essa região onde moram 450 mil pessoas que se espremem em apenas 48 km² de território. Juntos, esses dois distritos formam uma região tão densamente povoada que,
se fosse uma cidade, estaria entre os 70 maiores municípios do Brasil. Uma cidade sem teatro, cinema, livrarias, galerias de arte e museus. Mas não uma cidade sem cultura. A falta de equipamentos e políticas públicas fez nascer uma arte nas ruas, escolas, igrejas, galpões e nos botecos, como é o caso da
Cooperifa. Essas manifestações, porém, são invisíveis às estatísticas e ficam ignoradas pelo poder público e pelas pessoas que vivem distantes das quebradas. A fim de ressaltar essa arte periférica a Mostra Cultural da Cooperifa vai colocar no mapa das artes de São Paulo uma produção cultural criativa

 
e vibrante. Uma arte que não tem distinção entre popular e erudito. Uma arte feita por um artista que tem a cara do público que o assiste. A Mostra Cultural da Cooperifa veio para ficar. Ela mantém no ar a energia da Semana de Arte Moderna da Periferia que aconteceu em 2007, mas traz um novo conceito. O evento do ano passado era de afirmação. Este agora é também de afirmação, mas acrescenta a dimensão do desenvolvimento artístico como ponto central de sua oncepção. A Mostra Cultural também aproxima grupos periféricos de artistas do Centro, promovendo um diálogo promissor. Por isso não percam. Vejam a programação completa na página 8.